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Coronavírus: Fiocruz alerta sobre avanço em Maceió e mais oito capitais

Foto: Reprodução

Maceió e mais oito capitais do país registraram avanço no número de infecções por coronavírus, conforme levantamento da Fiocruz, baseado em dados do Ministério da Saúde. A reportagem sobre o assunto foi publicada nesta sexta-feira (13), no jornal O Globo.

De acordo com o levantamento, uma forte tendência (superior a 95%) de avanço da pandemia foi detectada em Maceió, Florianópolis e em João Pessoa. Houve uma probabilidade moderada de crescimento (maior que 75%) da Covid-19 em Belém, Fortaleza, Macapá, Natal, Salvador e São Luís.

O aumento, segundo especialistas, pode levar à chegada de uma segunda onda da pandemia no país.

Ainda conforme os dados, nessas cidades há um avanço sustentado, e que vem sendo mantido, nos casos de coronavírus. “Não temos certeza sobre a existência de uma segunda onda, mas é uma possibilidade que deve servir de alerta para que as autoridades locais repensem ou revertam políticas de flexibilização”, destacou alerta Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe.

Como não se sabe quanto tempo dura a imunidade, uma pessoa que já foi infectada poderia ser novamente vítima da pandemia. Portanto, segundo Gomes, faz sentido que as regiões mais vulneráveis vistas na pesquisa sejam aquelas onde houve mais contaminados nos primeiros meses da pandemia no Brasil.

Um agravante são os índices socioeconômicos das capitais com novos casos, que são mais frágeis do que os vistos no Centro-Sul do país. Como um grande percentual da população tem baixa renda, poucas pessoas podem aderir ao teletrabalho, e as políticas de isolamento social não têm o sucesso desejado.

“O Brasil voltou cedo demais à normalidade. Por isso, nossa segunda onda pode ser mais grave do que a vista na Europa. Lá, o número de casos foi bastante reduzido até a pandemia atingir novamente a população. Aqui, nunca chegamos a um índice confortável, estacionamos em um nível alto. Então, se houvesse uma nova leva da doença, ela nos pegaria no meio de uma pista, e não no começo”, diz o coordenador do InfoGripe.

Benilton de Sá Carvalho, pesquisador de estatística e epidemiologia da Unicamp, estima que a segunda onda pode abater o país daqui a “quatro ou seis semanas”, considerando os relatos sobre aumento das internações que estão saturando a rede privada e transbordando para o sistema público, mesmo padrão visto no primeiro semestre. Carvalho critica a exagerada circulação da população, predominantemente jovens, e a menor adesão às máscaras.

Gabriel Maisonnave, pesquisador da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, questiona a chegada de uma segunda onda do coronavírus ao Brasil. Para ele, o retorno da Covid-19 aos países desenvolvidos sustentou-se na alta taxa de população idosa, uma realidade diferente da vista no país.

“O cenário mais provável é que o número de casos no país permaneça em um platô e diminua nos meses seguintes, quem sabe até a chegada da vacina. Mas precisamos conferir se a transmissão aumentará após as festas de fim de ano”.

Em Maceió, a maior taxa de ocupação de leitos para Covid já registrada desde o início da pandemia ocorreu em junho, com cerca de 81%. Depois disso, a tendência foi de queda, chegando atualmente a uma ocupação de 28% em UTIs e 15% em enfermarias. Na capital, dos 381 leitos para Covid-19, 66 têm pacientes (17%).

*Com Jornal O Globo

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