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IBGE e Ministério da Saúde apontam que mortalidade por Covid-19 foi maior em cidades que investiram em medicamentos sem eficácia comprovada

“Tratamento eficaz contra o novo coronavírus não existe nesse momento” diz especialista


Da Redação

Um levantamento do Ministério da Saúde e do IBGE mostrou que a taxa de mortalidade pela Covid-19 foi maior em nove de dez municípios que investiram no uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra o novo coronavírus, como a cloroquina e a hidroxicloroquina.

De acordo com Estevão Urbano, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia, substancias como a cloroquina não previnem a evolução doença de forma grave nem a mortalidade. “É bom lembrar que todos nós queremos um tratamento eficaz, nós ansiamos por isso, mas não existe, nesse momento, nada comprovado sobre o tema”, esclarece.

Em Itajaí, no litoral catarinense, o prefeito Volnei Morastoni, que é médico, criou campanhas de distribuição de cânfora e ivermectina. Ele defendeu um tratamento com aplicação de ozônio. A cidade teve uma taxa de mortalidade quase 60% maior do que todo o estado de Santa Catarina.

Depois de Itajaí, os municípios de Natal, no Rio Grande do Norte, e Cuiabá, no Mato Grosso, foram os que apresentaram maior taxa de mortalidade dentro de cada estado. O único município que foge à regra é Parintins, no Amazonas, onde a prefeitura distribuiu kits com medicamentos sem eficácia comprovada. Só deixou de fora da campanha a cloroquina.

Nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde Eduardo Pazuello voltaram atrás e afirmaram nunca ter receitado esses medicamentos.

O médico infectologista do Instituto Emílio Ribas Leonardo Weissmann defende uma melhor atuação do governo federal e de especialistas na orientação de medidas realmente eficazes no combata à pandemia.

“É necessário que os governantes, ou seja, o presidente da república e o Ministério da Saúde orientem a população corretamente e mostrem que esses medicamentos não tem eficácia no tratamento da Covid-19. Alguns médicos especialistas que se formaram através de Google e Whatsapp, também tem que parar com a disseminação de notícias falsas a respeito do assunto”, completa.

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