Destaque

Lula rompe quarentena e visita Renan em hospital

Encontro ganha simbolismo pois coincide com momento em que a Lava-Jato enfrenta
revezes

Por Andrea Jubé — De Brasília

VALOR ECONÔMICO

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva rompeu o isolamento imposto pela quarentena para visitar o senador Renan Calheiros (MDB-AL) no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde ele se recupera de uma cirurgia. O registro do encontro, em que ambos aparecem sem máscaras de proteção, apesar de serem do grupo de risco para Covid-19, foi publicado ontem nas redes sociais do emedebista.
O encontro entre Lula e Renan ganha simbolismo porque coincide com um momento em que a Operação Lava-Jato, de que ambos são alvos, enfrenta revezes e sofre baixas entre seus quadros mais relevantes. Na mesma data da visita, ocorrida na quarta-feira, o coordenador da força-tarefa em Curitiba e um dos expoentes da investigação, o procurador Deltan Dallagnol, despediu-se da operação.
“Hoje (16) é meu último dia na força-tarefa da Lava-Jato. Os mesmos valores que me fizeram dar o melhor na LJ, hoje me levam a me dedicar à minha família”, postou Dallagnol em sua conta oficial no Twitter.
Renan foi internado no dia 9 para retirada de um tumor benigno no rim direito. Segundo sua assessoria, o senador recupera-se bem e tem alta programada para os próximos dias. Lula, por sua vez, tinha exames de rotina marcados nesta semana no mesmo hospital, onde faz acompanhamento desde que se curou de um câncer de laringe em 2012.
Segundo as assessorias de ambos, a visita de Lula ao aliado foi de caráter pessoal, e não trataram de assuntos políticos.
Renan e Lula declaram-se vítimas de perseguição da Lava-Jato. Na última terça-feira, Renan divulgou um vídeo em que afirma sofrer desgaste físico e mental por ser alvo de uma “perseguição sem fim” e de processos com “absoluta falta de provas”.
“Ano a ano, mês a mês, é uma verdadeira tortura. Ontem mesmo, saindo da cirurgia, fui instado a responder pela décima vez a uma denúncia improcedente, nascida de uma delação onde todos os delatores negaram a imputação inicial”, reclamou.
“Fala-se muito em assassinato de reputações, essas acusações sem provas. (…) O corpo também se abate”, disse o senador.
Na mesma terça-feira, Lula publicou nova crítica contra a operação em suas redes sociais: “A Lava-Jato todo dia inventa uma mentira na expectativa de que algo cole contra o Lula.
Essa gente ainda vai ser condenada por crime de lesa pátria (…) O Ministério Público é uma instituição séria e não pode ser tomado por fedelhos messiânicos”.
Dallagnol deixa a Lava-Jato após sofrer uma pena de censura do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) por discutir nas redes sociais com Renan Calheiros. Em outra ação recente que atingiu a Lava-Jato, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) censurou o juiz federal Marcelo Bretas, que conduz a investigação no Rio de Janeiro, por autopromoção e superexposição por ter participado de um ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) em fevereiro.
O encontro entre os dois também se dá num momento de recolocação de Lula no palco político, após o veemente pronunciamento do último dia 7 de setembro, interpretado como um lançamento da pré-candidatura para 2022. Naquela fala, ele se colocou à disposição dos brasileiros para “reconstruir o Brasil”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *