Cultura

Teatro Deodoro completa 110 anos de arte neste domingo com celebração virtual

Foto: João Erisson

Agência Alagoas

Em pleno Centro de Maceió, mais especificamente na Praça Deodoro, o prédio chama a atenção pela beleza e imponência e encanta, a cada olhar, pela riqueza de detalhes. Do lado de fora, vem a admiração pela arquitetura; na parte superior do edifício, atributos das artes, pequenos templos, estátuas representando a história, a filosofia, a deusa, a música e a estátua de Apollo.

Dentro da sala de apresentações, as pinturas no teto, o luxo do lustre, o vermelho da cortina, os detalhes das frisas são um espetáculo à parte. No salão nobre, a decoração e os móveis antigos atraem os visitantes. No foyer, várias placas eternizam grandes nomes recebidos e momentos vividos aqui.

O lugar guarda muitos e importantes capítulos da história da arte e da cultura de Alagoas. Estamos falando do Teatro Deodoro, palco administrado pela Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal), bem como seus anexos: o Teatro de Arena Sérgio Cardoso e o Complexo Cultural Teatro Deodoro.

Muito mais do que um cartão postal. Sua representação, entre os artistas, é de um lugar sagrado, um templo, um senhor, um Deus. Para o público, emoção, alegria, deleite. Para Alagoas, um patrimônio cultural, e por quê não o patrimônio cultural? A casa, que é referência entre os teatros históricos do Brasil e do mundo, chega a um marco: 110 anos de existência.

“É uma grande emoção poder vivenciar o aniversário de 110 anos do Teatro Deodoro, um lugar importante e de grande representatividade para a arte e a cultura de Alagoas. O teatro chega a esse marco em plena atividade com calendário intenso, que precisou ser pausado na quarentena, mas que mantém seus projetos e diálogo frequente com a classe artística de Alagoas”, afirmou a diretora presidente da Diteal, Sheila Maluf.

O Teatro Deodoro foi construído para materializar o sonho do progresso artístico vivido pela população e os governantes de Alagoas, no início do século XX. No dia 11 de junho de 1905, era lançada sua pedra fundamental no Largo da Contiguiba, também conhecido como Largo das Princesas, no Centro de Maceió.

A obra, projetada pelo arquiteto Luigi Lucarini e tocada pelo mestre de obras Antônio Barreiros Filho, foi concluída em 15 de novembro de 1910, marcando os festejos de 21 anos da proclamação da República. A peça escolhida para essa data foi “O dote”, de Arthur Azevedo e, em seguida, o monólogo “Um beijo”, do alagoano J. Brito, encenado pela atriz de renome nacional Lucila Peres.

Em 1914, o Deodoro sofreu com a chegada do cinema, bem como outros teatros do país, sendo arrendado a uma firma comercial e transformado em cinema. Diante da reação dos alagoanos, não demorou a voltar à sua finalidade inicial.

A primeira reforma aconteceu em 1933, ficando fechado até meados de 1934. A ópera “A Toscana”, pela Companhia Lírica Italiana, marcou o reinício das atividades. Entre os anos de 1937 e 1939, foi transformado em depósito. Reincorporado ao patrimônio do Estado, em 1940, voltou às suas verdadeiras funções.

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